2ª Infância aka 3ª Idade
Muito se diz e se escreve sobre esta faixa etária que irá no futuro dominar o mundo, devido ao constante aumento da esperança média de vida e do também constante decréscimo na taxa de natalidade. O "pré-conceito" de respeitar as pessoas mais velhas só por serem mais velhas a mim parece-me um bocado despropositado. Eu respeito as pessoas se eles merecerem o meu respeito não por serem mais velhas que eu ou por estarem a poucos anos do caixão. "Ah porque as pessoas mais velhas são muito sábias". Algumas até o são mas a maior parte vive na companhia de um senhor alemão chamado Alzheimer ou dos seus primos e sobrinhos cujo nome não é estabelecido mas que também moiem. Eu tenho avós e respeito-os, não por serem da minha família nem por serem velhos mas sim porque merecem pois foram e são boas pessoas. Agora se o Hitler ainda fosse vivo nos seus 119 anos de sabedoria e vivência será que diziam na sala de espera das urgências "Cede lá o lugar ao senhor que é velhinho e está doente"? Não me parece...
Existem inúmeras coisas que me irritam (e penso que a toda a gente) nos velhos. ("diz antes idosos ou pessoas de idade que é menos ofensivo" aconselha aqui o anjinho do meu ombro direito... anjinho hipócrita da merda). Passo a descrevê-las então:
Arranjam sempre maneira de estar na caixa multibanco mais próxima quando estamos com pressa. E claro que não estão apenas a levantar dinheiro ou consultar o saldo, estão sim a fazer o pagamento das contas do mês inteiro, retiram e colocam cartão e voltam a retirar. E fazendo isto tudo claro com toda a calma do mundo como se não se aproximassem a paços largos do fim da sua existência. Eu compreendo que seja complicado para eles e que a capacidade de compreensão e raciocínio não seja a mesma claro que compreendo e não levo a mal (a não ser quando parece proposítado) mas que me irrita lá isso irrita e quem disser o contrário é tão hipócrita como o anjinho do meu ombro.
Atravessam a estrada onde e como bem lhes apetece sem olhar para lado nenhum, carregando sacos ou mesmo de muletas, mais uma vez com a maior calma do mundo como se o facto de terem vivido 3/4 de século fosse razão suficiente para ganharem um estatuto de intocáveis na estrada quase numa ilusão de invencibilidade. Aqui é sempre giro buzinar e ver a sua reacção que varia desde a velhinha mais querida que se torna num bicho possuído cuspidor de vernáculo como se a razão não fosse nossa, ou então a completa ausência de reacção, talvez por nem estarem para ter trabalho em responder ou pedir desculpa ou apenas por terem o aparelho auditivo desligado.
Transportes públicos é outro dos locais onde é curioso observar o comportamento das pessoas nesta faixa etária. É sabido que há bancos prioritários para pessoas idosas, cuidadosamente posicionados junto a saída. Acho obviamente muito bem! Agora eu não tenho cá culpa de haver mais velhos do que bancos para eles destinados, e se há coisa que eu detesto é começarem a olhar para mim de lado a sussurar entre dentes "esta juventude... não há respeito pelos mais velhos" fazendo pressão para eu perguntar "quer-se sentar a senhora?" (sim é quase sempre uma senhora, já que o velho português é rijo e aguenta só para não dar parte fraca). Olha aqui estragam tudo, porque eu até podia estar com vontade de ceder amavelmente o meu lugar mas após tais observações como se fosse a minha obrigação podem ter a certeza que vou ficar sentado e fazer questão de demonstrar toda a minha satisfação na qualidade do assento. Isto mesmo tendo a velha 2 cotos, surda cega e com gases.
Cusquice... Algo presente em todas as mulheres desde a nascença (ou mesmo a concepção) e que ao contrário de todas as outras "faculdades" vai aumentando ao longo da idade como se de um poder incontrolável se tratasse. Toda a gente conhece a velha sentada a janela, toda a gente tem ou teve uma no prédio. A velha que vai a porta olhar pelo óculo quando algum vizinho abre a porta. A velha ou grupo de velhas normalmente sentadas num café que suspendem a sua conversa e por vezes até a respiração para ouvir a conversa da mesa do lado. A velha da sala de espera das urgências que se queixa de dores que apelida carinhosamente de pontadas. Toda a gente já teve encontros com estas pessoas e irritou-se com isso. Quem diz que não está a mentir com quantos dentes tem na boca... a não ser que também já não os tenha.
Na estrada... Bem aqui há pouco a dizer pois está a vista de todos, desde entrarem em contra mão na autoestrada a não fazerem ideia do que a maioria dos sinais de transito representa. Nem eu que tirei a carta há pouco tempo me lembro de todos, quanto mais alguém encartado há 50 anos. Não se pode acusar de conduzirem depressa isso é algo que temos que admitir, mas conduzir a 20 km/h na cidade, parar nos verdes, não respeitar traços contínuos e pura e simplesmente não reagir quando buzinámos quando se estão a aproximar demais da nossa faixa é algo que não se podem orgulhar. É urgente uma bateria de testes a realizar a partir de uma certa idade, mas testes rigorosos, quem não é capaz não conduz e mais nada. Anda de transportes públicos que até têm assentos reservados e tudo...
Bem penso que já está tudo. Espero não ter ferido susceptibilidades pois apenas digo o que todos pensamos. Agora se com isto se pode concluir que eu não respeito as pessoas de idade avançada... penso que não, apenas não respeito as pessoas no geral.
P.S. - Ah e tudo isto devido ao facto de ontem ter sido atropelado um idoso que tentava, inspirado pelos jogos paraolímpicos, atravessar uma estrada nacional com o auxílio das suas canadiadas, vulgo muletas. E pronto não deu medalha de ouro não...
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